Anticomunismo no <i>Diário de Aveiro</i>
O Diário de Aveiro, que há vários anos vem discriminando nas suas páginas as posições e propostas do PCP, desmascarou-se com a publicação de um editorial profundamente anticomunista.
Há muito que o Diário de Aveiro censura e discrimina o PCP
A Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP emitiu recentemente um comunicado onde protesta firmemente pelo conteúdo do editorial da edição do Diário de Aveiro de 30 de Janeiro. Assinado pela redacção, o texto afirma que o jornal se define, entre outros aspectos, como «opositor a quaisquer ideologias totalitárias, fascistas ou comunistas, que alienam os seres humanos». Os comunistas acusam a direcção do Diário de Aveiro de procurar, desta forma, «confundir e mistificar a ideologia totalitária e opressora do fascismo com o projecto comunista de construção duma sociedade de liberdade, de democracia e de igualdade para toda a humanidade».
Com este editorial, afirma o PCP, a direcção do Diário de Aveiro «dá razão e confirma os motivos das sucessivas queixas que o PCP tem apresentado nas sedes próprias». O teor do editorial, acrescenta, «coaduna-se com os critérios a que desde há muito o jornal Diário de Aveiro recorre para a cobertura da actividade que o PCP realiza dentro e fora das instituições, umas vezes pautando-se pela pura e simples censura e ocultação, outras vezes recorrendo a formas insidiosamente redutoras e discriminatórias».
Em 2009, o PCP apresentou mesmo várias queixas ao jornal, tendo este respondido que cumpria «integralmente o princípio de igualdade de tratamento» e que as candidaturas do PCP eram «tratadas no Diário de Aveiro tal como todas as outras candidaturas». À luz do referido editorial, o PCP considera que «fica agora ainda mais claro que tais considerações foram então produzidas ao arrepio da verdade editorial».
O PCP afirma ainda que com este editorial o Diário de Aveiro e a sua direcção «colocaram-se a si próprios fora da legalidade e do quadro constitucional português, violando alguns dos mais elementares direitos e princípios éticos e deontológicos que devem pautar a actividade de imprensa e jornalística», citando os artigos 37.º e 38.º da Constituição, relativos às liberdades de expressão e de imprensa e aos meios de comunicação social.
Uma luta de décadas
Nesse mesmo comunicado, os comunistas de Aveiro lembraram o combate de sempre do PCP «na defesa da imprensa livre, plural e democrática, na valorização e dignificação da profissão jornalística, bem como no reconhecimento da importância de outros profissionais indispensáveis à realização de comunicação social». E fê-lo «fosse em que circunstâncias fosse»: durante os 48 anos de fascismo, quando os comunistas pagaram muitas vezes com a vida e com muitos anos de prisão nos cárceres da ditadura a luta pela liberdade e a edição e distribuição do único jornal livre e não censurado – o Avante!; na Revolução de Abril que tornou possível a conquista e consolidação das liberdades democráticas; ou hoje em dia, resistindo e lutando contra o domínio avassalador do poder político e da comunicação social pelo poder económico.
Mas para o PCP «tão grave como a falência ética e deontológica de um jornal é a delirante equiparação do ideal comunista a um qualquer ideal totalitário ou de natureza fascista». Muitos comunistas aveirenses tiveram um papel «heróico e insubstituível» no combate de resistência antifascista e pela liberdade, pagando alguns com a prisão e a tortura a sua coragem. Entre eles, contam-se os médicos Armando Seabra, Mário Sacramento e Ferreira Soares (este último assassinado pela PIDE), o jornalista João Sarabando e o marinheiro José Neves Amado, que esteve preso durante 15 anos no Campo de Concentração do Tarrafal. Desta forma, acrescenta, o Diário de Aveiro e a sua direcção não podem fingir que desconhecem que a liberdade de expressão e de imprensa «de que hoje gozam e que tantas vezes tripudiam impunemente, muito custou conquistar».